A Ford não saiu só por causa do Bolsonaro, mas o presidente deu um empurrão – 01/12/2021

UMA A Ford teve mais de um motivo para deixar o Brasil e nem todos têm uma relação direta com o governo Bolsonaro.

Conforme relatado por Twitter (“Cinco razões pelas quais a Ford fechou todas as suas fábricas no Brasil“), diversos motivos – como a elevada carga tributária brasileira histórica e o processo de reestruturação global pelo qual a empresa passa – resultaram na decisão da montadora de deixar o país onde estava instalada há mais de um século.

O que a Ford não diz, porém, e nem é preciso dizer, é que as grandes empresas, ao tomarem grandes decisões, levam em consideração as variáveis ​​de longo prazo. Ou seja, analisam a possibilidade de que o cenário que hoje é negativo se transforme em positivo posteriormente.

E é aqui que o governo Bolsonaro desequilibra a balança.

Ao olhar para o Brasil hoje, o que os investidores estrangeiros veem é incerteza.

Na economia – além do mix de tributos, do emaranhado de leis, do puxão de leis e da prova de salto que é superar os obstáculos logísticos que as operações mais simples impõem -, o que os investidores veem ao analisar a dinâmica do governo é um vaivém de decisões e lutas de grupos que disputam o poder (de um lado, os “oldies de Chicago”, liberais que agitam a bandeira da responsabilidade fiscal; de outro, desenvolvimentistas que o chefe dos “oldies de Chicago” chama publicamente sabotadores “paus-tetos”).

Mensagens de brasília não ajudam

Quando olham para o comando do país, a impressão não melhora.

Naquela época, o que o investidor estrangeiro vê é um presidente, na mais benevolente das visões, “exótico”.

Alguém que, entre outras coisas, suspeita que foi o coronavírus “made in China”, resiste a reconhecer um colega eleito nos Estados Unidos, apóia uma manifestação perpetrada por criminosos que, como ele, se recusam a admitir que seu candidato perdeu, e têm apenas contatos episódicos com a realidade.

“No primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, vimos um aumento nos ingressos de investimentos, em relação ao mesmo período do ano passado”, disse Bolsonaro em discurso feito em setembro do ano passado na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) . E acrescentou: “Isso prova a confiança do mundo em nosso governo”.

Não foi assim …

Alguém enganou o presidente. Ou ele, novamente, refugiou-se no autoengano. Conforme observado à época, os números cantados pelo Bolsonaro não coincidiam com os do Banco Central, responsável por registrar as operações de Investimento Direto no país (PDI). O investimento estrangeiro diminuiu no Brasil, e não o contrário.

Em setembro, com a atualização dos dados, a situação piorou ainda mais. O BC informou que, nos primeiros oito meses de 2020, o saldo do PDI era de US $ 27 bilhões – 41% menor que o registrado no mesmo período de 2019 e 40% abaixo do medido no intervalo equivalente em 2018.

A Ford não fechou as portas no Brasil por causa do Bolsonaro, nem é provável que sua saída provoque uma correria de investidores. Mas quem estava pensando em entrar certamente pensará duas vezes.

Bolsonaro declarou que os números – errados – que citou sobre os investimentos estrangeiros no país em setembro “comprovam a confiança do mundo em nosso governo”.

Depois que os números forem trazidos ao reino da verdade, a sentença do presidente também deve ser revertida.

Infelizmente para o Brasil e os brasileiros, existem muito poucos motivos que o mundo tem hoje para confiar no governo Bolsonaro.

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