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Alta taxa de doenças crônicas exige atenção das empresas contratantes e operadoras de planos de saúde

29 de agosto de 2018
Males como câncer, diabetes e doenças respiratórias, entre outras, são doenças crônicas não transmissíveis e contribuem de forma significativa para a perda da qualidade de vida da população.
Foto: divulgação / Internet 
Essas doenças são as principais causas de incapacidade e limitação das pessoas de até 70 anos, e responsáveis por até 70% das mortes no país, de acordo com dados do IBGE.
Por isso, é fundamental que as políticas públicas e privadas invistam em atenção primária em saúde, aquela que aborda as demandas da população por todo o tempo de vida da pessoa, com cuidados permanentes de prevenção.
Nas empresas, por exemplo, o investimento em saúde primária dos trabalhadores pode contribuir para o desenvolvimento e crescimento das firmas, e na diminuição dos custos com os planos de saúde coletivos contratados pelos patrões.
Para o diretor da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, Gualter Maia, a empresas contratantes de planos de saúde coletivos precisam desenvolver projetos de atenção primária para incentivar os funcionários aos cuidados preventivos. Já as operadoras devem garantir as condições de atendimento aos trabalhadores, caso contrário, todos podem ter prejuízos.
“As próprias empresas desenvolvem ações voltadas a essa promoção. E essa empresa, não conseguir atender todas as demandas, com certeza, ela vai ter prejuízos relacionados ao bem-estar dos seus funcionários”, destacou.
As pessoas diagnosticadas com doenças crônicas não transmissíveis vivem por anos lutando contra as enfermidades e os gastos com medicamentos, exames, consultas médicas e internações, são altos e crescem a cada ano no país.
Dados da Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Econômico, levantados pela Confederação Nacional da Indústria, a CNI, projetam que, em 2040, os gastos com saúde aumentem para mais de 11 por cento do PIB brasileiro, ao ano.
Os planos de saúde coletivos, oferecidos pelas empresas aos trabalhadores, representam 80% dos contratos firmados pelas operadoras, no país. Esse tipo de plano de saúde saltou de pouco menos de 20% em 2000, para 67% em 2017, de acordo com dados da ANS.
O gerente Executivo de Saúde e Segurança da Indústria, do SESI, Emmanuel Lacerda, lembra que os projetos de atenção primária em saúde desenvolvidos nas empresas são fundamentais para orientar os trabalhadores para o uso adequado dos planos e na prevenção de doenças.
“O que nós temos observado, a partir de um grupo de indústrias aqui na CNI que representa cerca de um milhão de vidas, essa atenção primária ela não só coordena a utilização. Ela faz prevenção, ela coordena o cuidado, ela se preocupa com o desfecho em saúde, ou seja, com a melhoria da questão da saúde do trabalhador”, lembrou.
Saúde em Volume
A assistência oferecida pelos planos de saúde não privilegia o vínculo entre paciente e médicos tornando o acompanhamento e a prevenção de doenças ineficaz.
Além do mais, o atendimento é focado na doença apresentada no momento, com o uso excessivo de exames e procedimentos, tornando o serviço oneroso, como apontam os dados de pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar. Os números mostram que até 18% das contas hospitalares cobradas pelos planos de saúde são compostas por exames laboratoriais não necessários.
O gerente Executivo de Saúde e Segurança da Indústria do SESI, Emmanuel Lacerda, ressalta que a dinâmica usada pelas operadoras dos planos de saúde é pautada por volume, pela quantidade de uso da rede de assistência privada.
Ele acredita que o sistema necessita de mudanças para promover, de fato, a eficiência no atendimento e evitar desperdícios, como o exagerado número de exames pedidos nos consultórios, que não, necessariamente, contribuem para a promoção da saúde dos pacientes.
“O valor em saúde é uma combinação de custos com valor em saúde do beneficiário. E isso tem a ver com a mudança do sistema de remuneração de financiamento do sistema da saúde suplementar. Quando indicadores mostram que o Brasil é campeão de utilização de exames de ressonância magnética, isso representa que muito disso é desperdício. Então, tem um sistema que incentiva o volume, a utilização e, não necessariamente, acompanhado de eficiência, de resultado”, ressaltou.
Transparência
O Brasil é campeão de realização de exames de ressonância magnética, entre os países que fazem parte da Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Econômico. Em 2013, 132 ressonâncias foram pedidas para cada grupo de mil beneficiários de planos de saúde no país. Nos demais países da OCDE, a média registrada foi de 52 exames de ressonância magnética para cada grupo de mil beneficiários.
Para mudar esses números e garantir que os serviços prestados pelos planos de saúde atendam às necessidades das empresas e trabalhadores, o setor precisaria ter mais transparência na divulgação de informações sobre o uso da saúde suplementar.
Só assim, as empresas contratantes, os trabalhadores, as clínicas e hospitais, poderiam planejar melhor as ações de promoção da saúde, como recomenda, Emmanuel Lacerda.
“O setor é complexo no sentindo que existem outros atores na cadeia de saúde envolvidos, não só as asseguradoras e as empresas contratantes. Tem o usuário, mas também tem a rede assistencial envolvida, o ambiente regulatório. É necessário que se tenha uma padronização de dados e informações no sistema da saúde suplementar, que tenha padrões para reduzir e dar mais eficiência a questão da gestão por parte das empresas”, recomendou.
O gerente Executivo de Saúde e Segurança da Indústria, do SESI, sugere ainda que a ANS desenvolva metodologias de análises de tecnologias, ou seja, adote medidas capazes de identificar as melhores inovações que possam ser inclusas no rol de cobertura dos planos. O objetivo é viabilizar para quem usa os planos condições de atendimento eficazes e, por consequência, diminuir os custos com as operadoras.
“A inovação em saúde é fundamental. Ela é importante para que a gente melhore o cuidado em saúde das pessoas. Mas, ela tem de ser acompanhada por uma análise de custo-benefício e de retorno em saúde, em custo. Porque tem reflexo na judicialização e é necessário que se tenha um olhar muito atento”, sugeriu.
O número de beneficiários de planos privados de assistência à saúde, em relação à população total do País, cresceu de cerca de 18% até quase 25%, entre 2000 e 2014, caindo para pouco menos de 23%, em 2017.
Reportagem: Cristiano Carlos