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Educação Básica oferecida em Sergipe precisa evoluir para atender demanda do mercado

31 de agosto de 2018
Em Sergipe, os setores da construção, serviços industriais de utilidade pública e a extração de petróleo e gás natural respondem por 81% da indústria local. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) também apontam que o setor industrial responde por aproximadamente 22% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado.
Foto: Divulgação / Internet
Em relação à empregabilidade, as informações do Cadastro Geral de Empregado e Desempregado (Caged) identificam um resultado positivo nas atividades ligadas à indústria. A construção civil e os serviços industriais de utilidade pública, por exemplo, mais contrataram do que demitiram no mês de julho deste ano.
Apesar desse cenário, o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Guerra, afirma que a situação poderia ser melhor. De acordo com ele, ainda há um déficit de mão de obra qualificada que poderia ser suprido com uma melhor preparação do jovem já na Educação Básica.
Com base em estudo da CNI, Guerra afirma que a falta de qualidade na Educação Básica brasileira é um problema antigo e que atrapalha o ingresso do jovem no mercado de trabalho. “Apesar de a educação colocada hoje passar por uma possibilidade de reforma, ela ainda é pouco conectada com os reais problemas do mercado de trabalho".
De acordo com o balanço, que faz parte de um grupo de propostas apresentadas aos candidatos à Presidência da República para as eleições deste ano, o Brasil conseguiu praticamente universalizar o acesso ao Ensino Fundamental. Em 2015, por exemplo, 97,7% da população de 6 a 14 anos estava matriculada nesse nível de escolarização. Contudo, Guerra explica que isso ainda não é o suficiente.
“Nós tivemos um processo de universalização da educação do Brasil, mas quando olhamos as taxas de produtividade, percebemos que a educação não fez transformações na área, muito por causa da baixa qualidade que se tem”, disse.
Naquele ano, cerca de 1,5 milhão de jovens com idade entre 15 a 17 anos deveriam estar cursando essa etapa da formação educacional, no entanto, encontravam-se fora da escola.
Ensino Superior
Para o pesquisador do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), Jairo Eduardo Borges, os cursos superiores e a educação profissional precisam ser modalidades complementares. Ou seja, uma não anula a outra, mas sim, “há aqui uma junção da teoria e da prática que podem ser pontos determinantes na hora de conseguir um emprego”.
Porém, vistas de pontos separados, o professor ressalta que “pessoas que têm mais qualificação profissional, têm mais probabilidade de conseguir um trabalho e também de conseguir trabalhos melhores”. Ainda segundo ele, “ter um nível de escolaridade superior não vai necessariamente garantir emprego.”
Educação técnica e profissional
Segundo consta no último balanço do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), no Nordeste, meio milhão de pessoas procuram se especializar em alguma área através de um curso técnico ou de educação profissional.
A gerente de Educação Profissional do SENAI-SE, Silvia Delmondes, afirma que essa é, de fato, uma boa saída para ingressar mais rápido no mercado de trabalho. Para ela, atualmente, “o jovem que faz hoje apenas o Ensino Médio adquire conhecimento, mas sempre voltado para uma seletiva, um vestibular, um Enem”.

A pesquisa divulgada pela CNI também revela que apenas 11,1% dos alunos do Ensino Médio estão cursando Educação Profissional. Embasada em dados do Centro Europeu de Desenvolvimento da Formação Profissional, a confederação revela que em países com grande tradição nesse modelo, como Áustria e Finlândia, a taxa de jovens que cursam itinerários vocacionais é de cerca de 70%.

Reportagem: Marquezan Araújo / Agência do Rádio Mais