"País é governado por um bandido", afirma Gleisi Hoffmann

"País é governado por um bandido", afirma Gleisi Hoffmann


A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, afirmou nesta segunda-feira (29) em Brasília que o país “está sendo governado por um bandido”, referindo-se aos mais recentes atos e falas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) – em especial à afirmação feita mais cedo por ele, em tom de deboche e ameaça, sobre o desaparecimento do pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) durante a ditadura.
A reportagem entrou em contato com o Palácio do Planalto para obter um posicionamento sobre essa declaração, mas não obteve retorno. 
A fala de Hoffmann foi proferida durante coletiva de imprensa convocada por ela para anunciar que o PT vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa Jair Bolsonaro/Hamilton Mourão, vencedora das eleições do ano passado. O partido também apresentou à Procuradoria da República do Distrito Federal (PR-DF) uma notícia-crime contra o ministro da Justiça Sérgio Moro.
Motivaram as ações os novos vazamentos de conversas de procuradores da Lava Jato, publicados também nesta segunda pelo jornal Folha de S.Paulo. Desta vez, as conversas mostram que a delação do ex-ministro Antonio Palocci, tentando envolver o ex-presidente Lula em casos de corrupção, não era levada a sério nem pelos procuradores nem pelo juiz Sérgio Moro, devido à ausência de elementos que comprovassem suas denúncias. Ainda assim, faltando seis dias para o primeiro turno de 2018, Moro distribuiu a delação para a imprensa.
Um dos repórteres questionou Gleisi sobre se ela não estaria usando “palavras duras” demais para referir-se a Bolsonaro.
“Já estamos denunciando o Bolsonaro há um bom tempo e temos um enfrentamento grande com ele em relação a tudo que tem feito”, disse ela. “Está passando dos limites. Ter um presidente que é criminoso confesso é muito ruim (…) Até agora, [o caso] Queiroz não está explicado, o envolvimento da família dele com as milícias não está explicado, o laranjal do PSL não está explicado. Então, é um acúmulo de delitos e crimes que faz concluir que nós temos na presidência da República um bandido”.
Em relação ao caso do desaparecimento de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira (citado por Bolsonaro), Hoffmann disse que cabe ao filho dele e presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, tomar as medidas legais. “Cabe também uma representação na Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, destacou.
Mais cedo, ao reclamar da atuação da OAB na investigação do caso da suposta facada que teria recebido de Adélio Bispo, Bolsonaro atacou o presidente da entidade e a memória de seu pai.
“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, afirmou.
“Um homem que tem como seu ídolo o [torturador] Brilhante Ustra, pode se esperar tudo dele. Foi ele quem disse, também tantas vezes, que a ditadura devia ter matado mais. Então é alguém que tem condescendência com o crime, com a morte, com o homicídio”, acusou Gleisi.
Depois, completou: “A gente fala das barbaridades do Bolsonaro, das loucuras que ele fala, mas atrás disso tem um projeto de destruição do estado brasileiro, a venda da Petrobras, a destruição da Embraer, a destruição da Amazônia, a morte dos índios, a abertura de garimpo, um conjunto de ações que destroem a soberania nacional, destroem o país e, por consequência, destroem a vida da população, os mecanismos que nós temos para o desenvolvimento sustentável do Brasil”.
Prevaricação e abuso de autoridade
Sobre as conversas reveladas pela Folha, a presidenta do PT lembrou que o partido há tempos vem falando de manipulação dos procedimento judiciais envolvendo o partido.
“Sempre denunciamos isso, faz dois anos, que Palocci estava sendo pressionado a fazer delação que incriminasse o presidente Lula. Todos esses fatos que estão vindo a público, eram fatos que já levantávamos, inclusive nos autos. E são exatamente esses fatos: que existia perseguição política, que existia um conluio, que existia uma ação integrada entre Moro e os procuradores para incriminar o presidente Lula e o PT; e que tinha com certeza uma vontade de vantagem política, o que para nós ficou claro quando Sérgio Moro assume o Ministério da Justiça e, depois, mais claro ainda quando o Bolsonaro revela que tinha prometido a ele uma indicação para o STF”.
A representação contra Moro o acusa de prevaricação e abuso de autoridade. “O PT está pedindo uma investigação sobre a interferência criminosa no processo eleitoral brasileiro de 2018”.
A deputada lembrou também das 34 ações protocoladas no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para investigar a conduta de Moro. E lamentou que todas tenham sido arquivadas.
“A gente espera que agora tenha um pronunciamento mais efetivo da Justiça Eleitoral”, concluiu. (Karol Santos | PT)

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